Friday, April 25, 2014

Esta publicação que faço agora tem um tom mais mórbido, um sentimento mais puro. É, talvez, uma nova fase, embora este poema já tenha sido escrito há um tempo.


Mulher Amada

Enquanto durmo, cheiro ao bom cigarro.
Meu sonho é com sua alma purulenta.
Por entre o ronco, sinto meu escarro.
Quando levanto, em meio à noite lenta,

Vejo na cova funda o alvo esqueleto.
No rubro seio, em sua antiga face,
Está todo seu corpo, em tons de preto.
E no seu corpo que beijava-se,

Eu encontro aquela, a morte de sua alma.
Nada tenho eu a esconder do coração,
Me encontro em maio à sua eterna calma.

E o cheiro da sua alva podridão
Me lembra: nada tinha em sua palma,
Já que agora apodreceu a tua mão!

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